Unschooling segundo a Wikipedia

Unschooling segundo a Wikipedia

O “Unschooling” é uma variedade de filosofias e práticas de ensino, centradas em permitir às crianças aprender através de suas experiências de vida, incluindo brincadeiras, jogos, responsabilidades da casa, experiência de trabalho e interação social, em vez de um currículo escolar tradicional. O “unschooling” incentiva a exploração de atividades conduzidas pelas próprias crianças, facilitadas pelos adultos. Esta prática difere do ensino convencional principalmente em que o padrão de currículos e métodos convencionais de classificação, bem como outras características do ensino tradicional, são contraproducentes para o objetivo de melhorar a educação de cada criança.

O termo “unschooling” foi cunhado na década de 1970 e utilizado pelo educadorJohn Holt, amplamente considerado como o “pai” do movimento. [1] Embora muitas vezes consideradas como um subconjunto de “homeschooling” (escola em casa), “unschoolers” podem ser filosoficamente tão distantes dos “homeschoolers” como eles são dos defensores do ensino convencional. Enquanto o “homeschooling” tem sido objeto de debate público generalizado, pouca atenção da mídia tem sido dada à desescolarização. Os críticos tendem a vê-la como uma filosofia educativa extrema, e se preocupam que as crianças não escolarizadas sentirão falta de habilidades sociais, estrutura e motivação dos pares, principalmente no mercado de trabalho, enquanto os defensores da desescolarização dizem exatamente o oposto: a educação auto-gerida, num ambiente natural, faz com que a criança esteja melhor preparada para enfrentar o “mundo real.”[2]

Filosofia

As crianças aprendem naturalmente

Uma premissa fundamental do “unschooling” é que a curiosidade das crianças é inata e que elas querem aprender. Assim, pode-se dizer que a institucionalização de crianças em uma escola tipo “linha de produção” dá como resultado o uso ineficiente do tempo das crianças, porque exige que cada uma delas aprenda um assunto específico numa determinada forma, a um ritmo particular, e num determinado momento, independentemente das necessidades individuais, interesses, objetivos ou qualquer conhecimento pré-existente, que ele ou ela possam ter sobre o assunto.

Muitos “unschoolers” acreditam também que se perdem oportunidades valiosas de vivenciar experiências de base comunitária, espontâneas, do mundo real, quando as crianças estão limitadas fisicamente dentro de um edifício escolar.

As crianças não aprendem todas da mesma maneira

A psicologia tem documentado muitas diferenças com respeito à maneira que as crianças aprendem, [3] e afirmam que os “unschoolers” estão melhor preparados para se adaptar a essas diferenças.

Diferenças de desenvolvimento

A psicologia do desenvolvimento afirma que as crianças aprendem em diferentes idades. Assim como algumas aprendem a andar num intervalo normal de oito a quinze meses, e começam a falar em um espaço de tempo ainda maior, também aprendem, por exemplo, a ler em idades diferentes. A educação tradicional exige que todas as crianças comecem a ler e fazer multiplicação ao mesmo tempo. Os “unschoolers” acreditam que algumas crianças podem se aborrecer com isto porque estavam prontas para aprender mais cedo e, pior ainda, nos casos em que não estão prontas para aprender esses conceitos.

Estilos de aprendizagem

Pesquisas recentes indicam que as pessoas variam muito em seus “estilos de aprendizagem”, isto é, como adquirir novas informações. Em uma escola tradicional, embora possa haver alguma aplicação desse conhecimento, os professores quase nunca avaliam os estudantes de forma diferente, e enquanto um professor, particularmente dos níveis iniciais, muitas vezes utiliza diferentes métodos de ensino, isto é, às vezes, praticado de forma acidental e sem respeitar as necessidades específicas do aluno. [4]

Corpo de conhecimento essencial

Desescolarizados freqüentemente afirmam que o aprendizado de qualquer disciplina específica é menos importante do que aprender como aprender. [5] Eles afirmam, nas palavras de Aleck Bourne, que “é possível armazenar na mente um milhão de fatos e ainda ser totalmente ignorante”, e nas palavras de Holt:

“Como não podemos saber qual o conhecimento necessário para o futuro, não faz sentido tentar ensiná-lo antecipadamente. Em vez disso, devemos estimular as pessoas que gostam de aprender muitas coisas e aprender também que eles são capazes de aprender tudo o que é preciso.” [5]

Afirma-se que essa capacidade de aprender por conta própria torna mais provável que, quando essas crianças sejam adultas, possam aprender o que precisam para atender às suas novas necessidades, interesses e objetivos; e que possam voltar a qualquer assunto se sentem que não foi suficientemente coberto ou aprender um novo assunto completamente.

Muitos “unschoolers” discordam que existe um corpo específico de conhecimento que toda pessoa, independentemente da vida que levam, precisa possuir. Eles sugerem que há inúmeros assuntos dignos de estudo, mais do que qualquer um pode aprender dentro de uma única vida. Uma vez que seria impossível para uma criança aprender tudo, alguém tem que decidir quais os temas que devem ser explorados. Os “unschoolers” argumentam que, nas palavras de John Holt, “se as crianças tem suficiente acesso ao mundo, eles vão ver claramente as coisas que são verdadeiramente importantes para si e para os outros, e vão traçar para si um caminho melhor para o mundo, o que ninguém poderia fazer por eles. ” [6]

O papel dos pais

O “unschooling” não implica que os pais não vão proporcionar orientação e conselhos aos seus filhos , ou que se abstenham de compartilhar coisas que acham fascinante ou iluminadoras com eles. Esses pais geralmente acreditam que, como adultos, têm mais experiência e maior acesso ao mundo. Acreditam também na importância de usar isso para ajudar seus filhos a acessar, navegar e fazer sentido no mundo. Atividades comuns dos pais incluem compartilhamento de livros interessantes, artigos e atividades com seus filhos, ajudar a encontrar pessoas com conhecimento que auxiliem na exploração dos interesses(desde professores de física até mecânicos de automoveis), ajudá-los a definir metas e descobrir o que eles precisam fazer para atingir seus objetivos. A natureza baseada em interesses do “unschooling” não significa que ela é uma aproximação não-ativa da educação; os pais tendem a estar bastante envolvidos, especialmente com crianças mais jovens (crianças mais velhas, a menos que sejam novos no unschooling, muitas vezes tem menos necessidade de ajuda para encontrar recursos e elaborar e executar planos).

Crítica aos métodos de ensino tradicionais

Muitos “unschoolers” concordam com John Holt quando ele diz que “… a ansiedade que sentem as crianças ao serem avaliadas, seu medo ao fracasso, punição e desgraça reduzem severamente a sua capacidade de perceber e lembrar, e leva-os longe do material que está sendo estudado para criar estratégias para levar os professores a pensar que eles sabem o que não sabem.” Os defensores do “unschooling” afirmam que a educação individualizada é mais eficiente e respeitosa do tempo das crianças, tirando proveito de seus interesses, e permitindo uma exploração mais profunda dos assuntos do que é possível na educação convencional.

Outros apontaram que as escolas podem ser projetadas para serem não-coercitivas e cooperativas, de forma coerente com a filosofia por trás do “unschooling”. O modelo Sudburyé prova destas escolas não-coercitivas, não indoutrinantes, cooperativas, que criam parcerias democráticas entre crianças e adultos, onde o ensino é individualizado e complementa a educação em casa.

História e uso do termo “unschooling”

O termo “unschooling” provavelmente deriva do termo “deschooling” acunhado por Ivan Illich, e foi popularizado através dos boletinsCrescer sem escolaridade” (Grow Without Schooling GWS)de John Holt . Em um ensaio anterior, Holt contrasta os dois termos:

“GWS dirá “unschooling” quando queremos dizer tirar as crianças fora da escola, e “deschooling” quando queremos dizer mudar as leis para tornar as escolas não obrigatórias … “[7]

Neste ponto, o termo foi equivalente a “educação em casa” (ele próprio um neologismo). Em seguida, alunos em casa começaram a se diferenciar entre as várias filosofias educacionais do ensino em casa. O termo “unschooling” passou a ser usado como um contraste para as versões do ensino em casa que foram percebidas como politicamente e pedagogicamente “escolares.” Em 2003, no influente livro de Holt Ensine Os Seus , publicado originalmente em 1981, Pat Farenga, co- autor da nova edição, escreveu a seguinte definição:

“Quando pressionado, eu defino unschooling como permitir que as crianças tenham tanta liberdade de aprender sobre o mundo como os pais possam confortavelmente suportar.” [8]

Na mesma passagem Holt afirmou que ele não estava totalmente confortável com esse termo, e que teria preferido o termo “viver”. A maneira em que Holt usa o termo define o aprendizado como um processo natural, integrado nos espaços e atividades da vida diária, e sem manipulação de adultos. Segue de perto filosofias educacionais propostas por Jean-Jacques Rousseau, Paul Goodman, e AS Neill.

Depois da morte de Holt e da cessação da GWS, já não havia nada parecido com uma voz de autoridade do movimento do “unschooling”. Uma ampla gama de praticantes e observadores desta prática definiu o termo de várias maneiras diferentes. Por exemplo, o Projeto Freechild o define como:

“o processo de aprendizagem ao longo da vida, sem salas de aula formais ou institucionais e sem trabalho escolar.” [9]

Uma mãe do Novo México propôs o termo “radical unschooling” para enfatizar a total rejeição de qualquer distinção entre atividades educacionais e não-educacionais.[10] “radical unschooling” propõe o “unschooling ” como uma prática cooperativa não-coercitiva que visa promover esses valores em todas as áreas da vida. Catherine Baker e Grace Llewellyn definem “unschooling” como um processo iniciado e controlado pelos alunos (ao contrário de seus pais). [11] [12] Todas estes usos compartilham a oposição às técnicas de ensino tradicional e à construção social das escolas. A maioria promove a integração da aprendizagem na vida cotidiana das famílias e da comunidade em geral. Um dos pontos de desacordo é se o “unschooling” é definido pela iniciativa do aluno e o controle sobre seu currículo, ou se é definido por técnicas, métodos e os espaços a serem utilizados.

Filosofias Complementares

As famílias de “radical unschoolers” podem chegar a incorporar algumas das seguintes filosofias aos seus estilos de vida. Cada uma destas filosofias compartilha os ideais da cooperação e respeito mútuo.

Educação em Casa

O “unschooling ” é geralmente considerado como uma forma de educação em casa , que é simplesmente a educação dos filhos em casa ao invés de uma escola. A educação em casa é muitas vezes considerada como sinônimo de educação escolar em casa, mas alguns têm argumentado que o termo implica a recriação da escola no contexto da casa, o que eles vêem como filosoficamente em desacordo com o “unschooling”.

O “unschooling” contrasta com outras formas de educação em casa em que o estudante não é dirigido por um professor ou currículo. Embora os alunos “unschoolers” podem optar por fazer uso de professores ou de currículos, eles estão no controle de sua própria educação. [12] Os alunos podem escolher como, quando, porquê, e o que eles perseguem. Os pais de filhos “unschoolers” atuam como “facilitadores”, oferecendo recursos, ajudando seus filhos a ter acesso, navegar e dar sentido ao mundo, e auxiliando na elaboração e implementação de metas e planos para médio e longo prazo. Esta prática se expande a partir da curiosidade natural das crianças como uma extensão dos seus interesses, preocupações, necessidades, objetivos e planos.

Socialização

Preocupações sobre a socialização são muitas vezes um fator na decisão de desescolarizar. Muitos “unschoolers” acreditam que as condições comuns em escolas convencionais, como a segregação por idade, o número reduzido de adultos, a falta de contato com a comunidade, e a falta de pessoas com outras profissões, que não sejam professores ou administradores da escola, cria um ambiente social nada saudável. [13] Eles sentem que seus filhos se beneficiam ao entrar em contato com pessoas de diversas idades e origens, em uma variedade de contextos. Eles também acreditam que seus filhos se beneficiam ao poder escolher com que pessoas se encontrar, e em que contextos acontecem os encontros. Desescolarizados citam estudos que relatam que os alunos educados em casa tendem a ser mais maduro do que seus colegas escolarizados, [13] [14] [15] e alguns acreditam que isto é resultado do grande número de pessoas com as quais eles têm a oportunidade de se comunicar. [16] Os críticos do “unschooling”, por outro lado, argumentam que esta prática inibe o desenvolvimento social através da remoção de crianças do grupo de pares pre-estabelecido de diversos indivíduos. [2] [17]

Crítica

Preocupações comuns

  • As crianças podem receber uma educação abaixo do padrão, de cuidadores iletrados, não-credenciados.
  • As crianças não vão aprender as coisas que precisa saber em suas vidas adultas. [17] [18]
  • A menos que um profissional da educação controle as fontes utilizadas, uma criança pode não aprender as mesmas coisas que seus pares na escola. [19]
  • As escolas fornecem uma fonte pronta de pares, em quanto que as crianças “unschoolers” tem que encontrar maneiras de fazer amigos na sua faixa etária. [2] [17]
  • A criança só é exposta a outras culturas e visões participando de uma comunidade religiosa, o grupo de escoteiros, equipes esportivas, etc. Se a criança não frequenta estes ambientes pode ficar alheios a outras realidades e grupos socio-econômicos. [17]
  • Medo de que a criança fique completamente desmotivada e não aprenda nada por si mesma, se criada num ambiente não manipulador. [20]
  • Os pais podem sofrer por não ter as competências necessárias para orientar e aconselhar os seus filhos sobre as habilidades necessárias para a vida ou não poder ajudá-los a explorar seus interesses. [18] [19]

Organizações

São novidade os centros de estudo para os desescolarizados, os que estudam em casa e os que praticam a educação auto-gerida. [21]

Not Back to School Camp é um encontro anual de mais de 100 “unschoolers” de entre 13-18 anos. O encontro é dirigido por Grace Llewellyn , autora de The Teenage Liberation Handbook: How to Quit School and Get a Real Life and Education (Manual para a Liberdade do Adolescente: Como abandonar a escola e começar uma vida e educação real) . [22]

Outras formas de educação alternativa

Muitas outras formas de educação alternativa dão grande importância ao controle da aprendizagem por parte do estudante. Isso inclui as escolas democráticas livres, como a Sudbury Valley School, Stonesoup School e as universidades virtuais de “aprendizagem livre”.

Personalidades que defendem o unschooling

Adultos desescolarizados

Veja também

Referências

1. Billy Greer. “Unschooling or homeschooling?“. Obtido 2008-09-04.

2. “Readers share heated opinions on “unschooling”“. 2006-10-31. Obtido 2008-09-04.

3. Vosniadou, S: How Children Learn?, The International Academy of Education, 2001. [1]

4. Learning through home education Obtido 2011-02-20

5. http://childledhomeschool.com/2010/08/14/planning-for-child-led-learning/

6. http://www.gurteen.com/gurteen/gurteen.nsf/id/X00046822/

7. Holt, J (1977). Growing Without Schooling.

8. Holt, J (2003 publicado originalmente em 1981). Teach Your Own.

9. “Unschooling & Self-Education“. Obtido 2008-07-15.

10. “Is there a difference between a radical unschooler and just an unschooler?“. Obtido 2008-07-15.

11. Catherine, Baker (1985). Insoumission à l’école obligatoire. Barrault.

12. Llewellyn, Grace (1991). The Teenage Liberation Handbook. Lowry House.

13. Bunday, Karl. “Socialization: A Great Reason Not to Go to School“. Learn in Freedom!. Retrieved 2008-09-04.

14. Shyers, Larry. Comparison of Social Adjustment Between Home and Traditionally Schooled Students.

15. Liman, Isabel. “Home Schooling: Back to the Future?“. Retrieved 2008-09-04.

16. Bunday, Karl. “Isn’t it Natural for Children to be Divided by Age in School?“. Learn in Freedom!. Obtido 2008-09-04.

17. Common Objections to Homeschooling, by John Holt, publicado originalmente como Capítulo 2 de Teach Your Own: A Hopeful Path for Education. New York: Delacorte Press, 1981.

18. Unspooling Unschooling, por Bonnie Erbe, em “To the Contrary” blog em US News and World Report website, November 27, 2006

19. A new chapter in education: unschooling, by Victoria Clayton MSNBC, October 6, 2006

20. Unschooling Leads to Self-Motivated Learning, http://www.homeschoolnewslink.com/homeschool/columnists/mckee/vol7iss2_UnschoolingLeads.shtml

21. Homeschool Resource Centers

22. Staff Bios, Not Back To School Camp, Obtido 2008-12-02

Leitura complementar

Ligações externas

 

Texto traduzido do Inglês a partir do artigo Unschooling da Wikipedia. Texto disponivel sob licença Creative Commons Attribuition-ShareAlike; outros termos podem regir.

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